Estudo detalhado sobre o Ribeirão Santa Isabel orienta iniciativas para sua revitalização

Passados dois anos da maior crise hídrica já registrada na história de Paracatu, que afetou moradores e paralisou importantes atividades econômicas no município, obras para a revitalização da bacia hidrográfica do Ribeirão Santa Isabel estão sendo executadas na região. Com a entrega do resultado do estudo de Zoneamento Ambiental Produtivo (ZAP), feito pelo Sebrae Minas e pela Associação dos Produtores Rurais e Irrigantes do Noroeste de Minas Gerais (Irriganor), com apoio da Prefeitura de Paracatu, em 22 de março deste ano, ações e recursos estão sendo direcionados para resolver o problema do ribeirão que abastece a cidade e propriedades rurais.

Um recurso de R$ 800 mil do Governo do Estado de Minas Gerais, por meio da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas (Seapa), está sendo utilizado na construção de bacias de captação de águas pluviais, terraceamento e adequação de trechos de estradas. O projeto executado pela Emater-MG, desde julho, está na terceira das quatro etapas previstas de intervenção na região.

Com apoio da Prefeitura de Paracatu, por meio das secretarias de Meio Ambiente e Agricultura, estão sendo construídas 810 barraginhas para a captação de águas da chuva e 100 quilômetros de terraços (curva de nível) para drenagem e infiltração da água. “A ideia é que, em médio prazo, o volume da água do ribeirão aumente de acordo com os regimes de chuvas”, explica o extensionista agropecuário da Emater Carlos Henrique da Silva. A previsão é que o projeto seja finalizado até o final de 2019.


Outro recurso destinado à revitalização da bacia já está aprovado pela diretoria do Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco (CBHSF). Serão aplicados R$ 1,5 milhão para a adequação das estradas que cortam a região. De acordo com o coordenador da câmara consultiva do CBH do Alto São Francisco, Adson Ribeiro, o Comitê indicou, a partir do estudo de Zoneamento Ambiental Produtivo, a revitalização do Ribeirão Santa Isabel como projeto especial do Alto São Francisco. “Os dados do estudo indicam que os pontos mais críticos da bacia são as estradas, principais responsáveis pela morte dos corpos d’água. Portanto, vamos utilizar esse recurso para a adequação das estradas da bacia, onde teremos o retorno mais rápido”, explica.

Para o presidente do CBHSF, Anivaldo Miranda, a bacia do Rio Paracatu, que pertence à sub-bacia do Santa Isabel, é estratégica para o São Francisco como um todo. “Estamos muito felizes com a escolha do Santa Isabel para aplicar o recurso na região. O Rio Paracatu, por ser o maior afluente do São Francisco, precisa de ações estratégicas, em conjunto com os irrigantes, com intervenções capazes de melhorar as condições ambientais e possibilitar o aumento da produção de água na bacia”. A expectativa é que a Agência Peixe Vivo, braço executivo do CBHSF, comece as obras na região no início de 2020.

Entre outras propostas apontadas pelo ZAP estão a proteção de nascentes, recuperação de áreas degradadas e a construção de quatro barragens ao longo da calha do rio. No que se refere à construção de barragens, a presidente da Irriganor, Rowena Petroll, explica que a entidade está trabalhando no sentido de criar um ambiente favorável para mudar a legislação estadual, que atualmente impede esse tipo de intervenção. “Estamos tentando, junto à Secretaria Estadual de Agricultura, a adequação da legislação para que possamos resolver essa adversidade. Com as barragens poderemos ampliar a disponibilidade hídrica da bacia e solucionar o problema de abastecimento de água em Paracatu”. Segundo ela, o ZAP realizado em Paracatu apontou, com precisão, os pontos prioritários para a revitalização da Bacia do Ribeirão Santa Isabel. Este modelo de estudo será usado como referência para iniciativas orientadas para as outras 62 bacias hidrográficas de Minas Gerais.

Para o gerente da Regional Noroeste e Alto Paranaíba do Sebrae Minas, Marcos Alves, o ZAP possibilita ações mais adequadas para resolver a questão da escassez hídrica no município. Segundo ele, embora a cidade esteja passando novamente por um período de seca, com baixa do nível de água no ribeirão, intervenções importantes estão sendo feitas na bacia. “A partir dos dados do ZAP do Santa Isabel está sendo possível direcionar a atuação da Emater na recuperação da região e também atrair recursos do Comitê da Bacia do Rio São Francisco. Isso demonstra que as entidades estão preocupadas em resolver de uma vez por todas a crise hídrica do município.”

Entenda o ZAP
O Zoneamento Ambiental Produtivo é uma metodologia mineira, desenvolvida pelas secretarias estaduais de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) e a de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa). O ZAP visa a caracterização socioeconômica e ambiental de sub-bacias hidrográficas, com o objetivo de disponibilizar uma base de dados e informações para subsidiar o aprimoramento da gestão ambiental nos territórios.

O zoneamento da Bacia do Santa Isabel foi realizado pelo Sebrae Minas, por meio do Sebraetec, programa que amplia o acesso dos pequenos negócios à inovação, a um custo acessível – 70% subsidiado. O programa oferece possibilidades de intervenção nas áreas de design, desenvolvimento tecnológico, produção, qualidade e sustentabilidade.

O ZAP é de domínio público e está disponível no endereço www.meioambiente.mg.gov.br.

Fonte: Henrique Ulhoa/Prefácio Comunicação
Foto: ASCOM/Prefeitura de Paracatu

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